Existem diversos aspectos que deve ter em conta quando considerar construir um jardim residencial. A forma como é estabelecida a relação entre a casa e o jardim, o facto de ser um prolongamento do resto da habitação e como são aproveitados os espaços vazios depois da implementação da casa são abordados neste artigo.

 

A relação casa-jardim

O jardim residencial enquanto espaço dominado por elementos naturais que envolve uma estrutura edificada de habitação, desempenha a importante função de estabelecer o contacto entre o homem e a natureza num ambiente controlado, confortável e seguro. Desta forma a criação de ligações entre estes dois elementos (casa-jardim) é fundamental para que a sua vivência seja sentida de forma contínua e próxima; o que explica o porquê de diversas valorizarem tanto o jardim no projecto da sua moradia!

O contacto visual e facilidade de deslocação entre os espaços deve portanto ser constante, permitindo a contemplação e usufruto tanto do jardim como da casa independentemente do local onde se encontre o utilizador. Respeitando esta dinâmica, é possível utilizar-se a mais variada palete de cores, texturas, formas e complexidades, garantindo um resultado final sóbrio e coerente criando ambiências em total sintonia entre o interior e o exterior, entre o construido e o natural.

O jardim enquanto prolongamento do interior da habitação

O facto do jardim ser um espaço natural, ao ar livre e mutável tende a afastá-lo conceptualmente daquilo que entendemos ser uma divisão/compartimento de uma habitação, apesar do conhecido potencial dos jardins em apartamentos em termos paisagisticos. Nesta perspectiva torna-se complicado criar sintonia entre a habitação e o exterior uma vez que estão a ser vistos como elementos díspares e dissociados. É importante evitar este tipo de interpretação quando pensamos num jardim residencial.

Sabendo com certeza que uma divisão interior de um edifício (por exemplo uma sala de estar) é inequivocamente diferente de um espaço de recreio de exterior (por exemplo um relvado), não significa que seja impossível fazê-los funcionar como um só. Para isso é importante interpretar as dinâmicas de funcionamento de ambos os espaços e fazer com que estas coincidam de tal forma que passem a fazer sentido apenas na existência um do outro.

Quando se trata de espaços com ligações físicas possíveis, a consistência das mesmas deverá ser incontornável e permitir uma vivência complementar, permitindo-nos “escorregar” de uma área para a outra fazendo-nos sentir como se não tivessemos saído do mesmo espaço. Quando apenas nos é permitida a ligação visual, esta deve ser cativante e persuasiva, funcionando como elemento de enquadramento estético por excelência em toda a sua dimensão.

O jardim “depois” da casa

Muitas vezes, nos diversos projectos de arquitetura em que trabalhamos, deparamo-nos com com espaços sobrantes no terreno, após implantada a habitação, aos quais se pretende atribuir a competência de jardim. Este tipo de situações surgem devido à subvalorização dos espaços exteriores relativamente ao edificado. A proposta ideal surgiria com um projeto articulado entre as duas vertentes (exterior e edifício) com uma visão holística do espaço e não apenas focada nas estruturas construídas.

É fundamental, logo desde a fase inicial do projeto, criar ligações lógicas e “naturais” entre o que será exterior e interior e desta forma ser possível criar uma sintonia perfeita. A vivência dos espaços pode ser totalmente comprometida quando isto não acontece, criando algumas incompatibilidades de difícil resolução após concluido o processo de construção da habitação. Em situações extremas podemos deparar-nos com o aparecimento de áreas “mortas” cujo propósito de existencia deixa de fazer sentido, perdendo-se espaço útil para usufruto seja ele funcional ou simplesmente de enquadramento estético.

Planear o seu jardim e a forma como vão ser criados os espaços é fundamental para a harmonia casa-jardim. Se precisar de um serviço especializado na APROplan temos arquitetos paisagistas que o podem ajudar! Contacte-nos.